Do modelo reativo ao preventivo: como a Fisify redefine os seguros de saúde e coletivos na América Latina

O segmento de saúde, apólices coletivas e riscos de trabalho (ART) enfrenta uma fuga estrutural devido a problemas físicos. A Fisify, plataforma espanhola de fisioterapia e kinesiologia digital com inteligência artificial, chega à região com um modelo de prevenção, reabilitação remota e acompanhamento humano.
As patologias musculoesqueléticas (MSK) são uma das principais rubricas de despesas com sinistros do setor e os segurados exigem valor para além do sinistro.

O paradigma atual na América Latina

As seguradoras de saúde, planos de saúde, EPS, ISAPRES e ART operam de forma reativa: o segurado só percebe o valor da sua apólice quando já existe um sinistro. A isto somam-se redes concentradas em grandes centros urbanos e dependentes da consulta presencial, sendo as patologias MSK uma das principais causas de utilização dos serviços de saúde.

O problema tem três vertentes:

  • Ausência de prevenção: a intervenção chega tarde, quando a dor já existe ou o sinistro já ocorreu.
  • Sinistralidade: as despesas MSK pesam cada vez mais na conta técnica.
  • Abandono: muitos pacientes não completam a sua reabilitação, o que prolonga o episódio e encarece o custo médio por apólice.

O problema, em números

  • ~4% do PIB: perdas decorrentes de doenças e lesões profissionais na América Latina, muitas das quais evitáveis.
  • ~30% da morbidade ocupacional: corresponde a patologias musculoesqueléticas.
  • ~6 em cada 10 pacientes: não concluem a sua reabilitação.

De Espanha à América Latina: o modelo Fisify

A Fisify surgiu no País Basco a partir de uma observação clínica: a maioria das recaídas musculoesqueléticas não se deve a um diagnóstico errado, mas ao abandono do tratamento devido à distância, aos horários e aos custos de deslocação.

Com base nisso, construiu um modelo de prevenção e reabilitação digital com acompanhamento humano, em funcionamento em Espanha, Chile, Argentina, México e Brasil, dirigido a seguros de saúde, coletivos e ART, onde a despesa musculoesquelética é estrutural.

“Para uma seguradora, cada tratamento que não é concluído é um episódio mais longo e um custo mais elevado. Resolver o acesso é resolver a sinistralidade”  Egoitz Lazkano, CEO e fisioterapeuta, fundador da Fisify.

Aurya: o assistente com IA que acompanha o segurado

O núcleo da plataforma é a Aurya, a assistente com inteligência artificial que orienta o segurado com rotinas personalizadas, acompanhamento e recomendações clínicas, agindo antes que um incômodo se transforme num episódio de custo mais elevado.

Quando a reabilitação é necessária, é ativado o modelo de fisioterapia digital: um serviço que permite avançar na recuperação a partir de casa, evitando deslocações, esperas e o atrito da atenção presencial.

Um novo modelo de relação com o segurado

Com esta abordagem, a seguradora deixa de operar de forma reativa, estando presente apenas quando ocorre um sinistro, e passa a fazer parte do dia-a-dia do segurado, promovendo a prevenção e o bem-estar e a ter um impacto direto na redução da sinistralidade MSK. Quando o sinistro é inevitável, o modelo permite oferecer uma reabilitação mais acessível, flexível e acompanhada, melhorando a experiência do segurado e favorecendo a continuidade do tratamento.

A Fisify procura consolidar-se na América Latina como parceiro tecnológico-clínico para empresas de saúde, coletivos e ART que evoluem para uma saúde MSK preventiva, acessível e mensurável.

Referências:

¹ OIT — os acidentes e doenças profissionais representam ~4% do PIB anual mundial.

² OIT/OMS (2023) — as patologias MSK estão entre as doenças profissionais mais comuns.

³ Jiménez (2014), SciELO México (2019) — cerca de 30% da morbidade ocupacional corresponde a patologias MSK.

⁴ PLOS ONE (2022): 57% não completam a fisioterapia para lombalgia.